Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2012
Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2012
Relatório Confidencial
Ao mesmo tempo que os lideres europeus anunciavam um acordo para conceder mais apoio à Grécia e evitar a bancarrota daquele país já em Março, um relatório confidencial da troika mostrava-se céptico que a Grécia consiga, neste contexto, ultrapassar as dificuldades financeiras.
Este excerto é elucidativo:
"..there is a fundamental tension between the program objectives of reducing debt and improvingcompetitiveness, in that the internal devaluation needed to restore Greececompetitiveness will inevitably lead to a higher debt to GDP ratio in the near term. In thiscontext, a scenario of particular concern involves internal devaluation through deeper recession (due to continued delays with structural reforms and with fiscal policy and privatization implementation). This would result in a much higher debt trajectory, leavingdebt as high as 160 percent of GDP in 2020. Given the risks, the Greek program maythus remain accident-prone, with questions about sustainability hanging over it."
Para já, Portugal ganhou tempo. Vamos ver para que serve.
Este excerto é elucidativo:
"..there is a fundamental tension between the program objectives of reducing debt and improvingcompetitiveness, in that the internal devaluation needed to restore Greececompetitiveness will inevitably lead to a higher debt to GDP ratio in the near term. In thiscontext, a scenario of particular concern involves internal devaluation through deeper recession (due to continued delays with structural reforms and with fiscal policy and privatization implementation). This would result in a much higher debt trajectory, leavingdebt as high as 160 percent of GDP in 2020. Given the risks, the Greek program maythus remain accident-prone, with questions about sustainability hanging over it."
Para já, Portugal ganhou tempo. Vamos ver para que serve.
Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2012
Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2012
Sem ideias nem alternativas
Vale a pena ler o Ekathimerini, jornal grego online publicado em inglês para acompanhar a perspectiva grega sobre o colapso do seu país.
Foi lá que li um artigo chamado "They all fall down" que retrata a implosão do sistema partidário grego. Até hà pouco tempo este sistema partidário ainda concentrava mais os votos do que o português nos dois partidos do centro: PASOK (Socialistas) e o ND (centro direita) tinham alternado sempre no poder com maiorias absolutas, com excepção de um período breve em que houve governos de coligação entre 1979 e 1980.
Mas a crise está a fazer muitos estragos: Na semana passada, com a expulsão de 43 deputados destes dois partidos o artigo anuncia o fim do sistema partidário tal como ele existiu nos últimos trinta anos.
As eleições avizinham-se mas ninguém sabe para que vão servir por várias razões:
Sempre se disse que os dois grandes partidos eram próximos. Agora com as exigências da troika, tornam-se indistinguiveis e submissos ao exterior. Nem mesmo o partido LAOS de extrema-direita, agora também no governo, escapou a esta roldana: depois de ter andado a denunciar a pressão da bota alemã, o LAOS acabou por abster-se na votação do pacote da UE em solidariedade com o ND.
Os três partidos à esquerda do PASOK que rejeitam os pactos com a troika, estão a subir nas sondagens, e vão fazer estragos. Mas segundo o artigo não apresentam qualquer solução alternativa credível para a Grécia.
Sem ideias nem alternativas, as eleições que aí vêm também não vão constituir nenhuma escolha. Aconteça o que acontecer quem decide é a Alemanha.
Agora substitua PASOK por PS, ND por PSD, Grécia por Portugal e leia novamente este post. É um cenário provável para o nosso país.
Foi lá que li um artigo chamado "They all fall down" que retrata a implosão do sistema partidário grego. Até hà pouco tempo este sistema partidário ainda concentrava mais os votos do que o português nos dois partidos do centro: PASOK (Socialistas) e o ND (centro direita) tinham alternado sempre no poder com maiorias absolutas, com excepção de um período breve em que houve governos de coligação entre 1979 e 1980.
Mas a crise está a fazer muitos estragos: Na semana passada, com a expulsão de 43 deputados destes dois partidos o artigo anuncia o fim do sistema partidário tal como ele existiu nos últimos trinta anos.
As eleições avizinham-se mas ninguém sabe para que vão servir por várias razões:
Sempre se disse que os dois grandes partidos eram próximos. Agora com as exigências da troika, tornam-se indistinguiveis e submissos ao exterior. Nem mesmo o partido LAOS de extrema-direita, agora também no governo, escapou a esta roldana: depois de ter andado a denunciar a pressão da bota alemã, o LAOS acabou por abster-se na votação do pacote da UE em solidariedade com o ND.
Os três partidos à esquerda do PASOK que rejeitam os pactos com a troika, estão a subir nas sondagens, e vão fazer estragos. Mas segundo o artigo não apresentam qualquer solução alternativa credível para a Grécia.
Sem ideias nem alternativas, as eleições que aí vêm também não vão constituir nenhuma escolha. Aconteça o que acontecer quem decide é a Alemanha.
Agora substitua PASOK por PS, ND por PSD, Grécia por Portugal e leia novamente este post. É um cenário provável para o nosso país.
Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2012
O blog do momento
No blog Má Despesa Pública denuncia-se e partilha-se informação sobre gastos questionáveis do Estado.
É um trabalho muito importante, que até agora não estava a ser feito por ninguém desta forma sistemática. Há várias entidades e projectos dedicados a tornar o Estado e o que ele faz mais transparente. Mas este esforço é de aplaudir porque age em tempo real e tem um formato que facilita o acesso a todos. Não cabe apenas ao partido de governo identificar os desperdícios do Estado. A óptica do Má Despesa Pública é o de combater as cliques partidárias e os contratos duvidosos, sem grandes populismos.
Ao longo dos posts percebe-se algo de muito importante: os políticos, autarcas, membros do governo estão atentos ao site. Parece funcionar assim o circulo virtuoso:
O site disponibiliza informação, os media dão cobertura, e os políticos respondem, ou tentam responder.
Moral da história: Sem sociedade civil atenta não há políticos de qualidade. É uma excelente iniciativa, que merece toda a atenção e apoio.
É um trabalho muito importante, que até agora não estava a ser feito por ninguém desta forma sistemática. Há várias entidades e projectos dedicados a tornar o Estado e o que ele faz mais transparente. Mas este esforço é de aplaudir porque age em tempo real e tem um formato que facilita o acesso a todos. Não cabe apenas ao partido de governo identificar os desperdícios do Estado. A óptica do Má Despesa Pública é o de combater as cliques partidárias e os contratos duvidosos, sem grandes populismos.
Ao longo dos posts percebe-se algo de muito importante: os políticos, autarcas, membros do governo estão atentos ao site. Parece funcionar assim o circulo virtuoso:
O site disponibiliza informação, os media dão cobertura, e os políticos respondem, ou tentam responder.
Moral da história: Sem sociedade civil atenta não há políticos de qualidade. É uma excelente iniciativa, que merece toda a atenção e apoio.
Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012
Louis CK
Nos últimos tempos tornei-me grande fã do Louis CK. E ontem, quando me preparava para mais um serão a ver Louie, na FX, vejo que a séria foi substituida, pelo menos naquele horário..
Aqui as diferenças entre rapazes e raparigas, especialmente bom para pais cansados.
Louis CK faz comédia sem medo, sobre os medos que nem às paredes confessamos.
Aqui as diferenças entre rapazes e raparigas, especialmente bom para pais cansados.
Louis CK faz comédia sem medo, sobre os medos que nem às paredes confessamos.
Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2012
Munchau, a Grécia e Portugal
Neste artigo de opinião, publicado hoje no FT, Munchau defende que Grécia e Portugal devem entrar em default, mas ficar dentro da Zona Euro.
É extraordinário notar como o artigo é sobretudo sobre a Grécia, e depois Munchau salta para o caso de Portugal, sem explicar porquê, dizendo apenas que os dois países devem ser tratados exactamente da mesma maneira. Na caixa de comentários há muitas críticas. Mas o essencial parece ser inegável.
Para Munchau, e para o FT, nada adiantam os esforços deste governo para fazer Portugal descolar da Grécia. Portugal é a Grécia, Grécia é Portugal. A única diferença serão uns mesitos.
(Ver o post abaixo que publiquei sobre o tema no incio do mês no Jornal de Negócios).
É extraordinário notar como o artigo é sobretudo sobre a Grécia, e depois Munchau salta para o caso de Portugal, sem explicar porquê, dizendo apenas que os dois países devem ser tratados exactamente da mesma maneira. Na caixa de comentários há muitas críticas. Mas o essencial parece ser inegável.
Para Munchau, e para o FT, nada adiantam os esforços deste governo para fazer Portugal descolar da Grécia. Portugal é a Grécia, Grécia é Portugal. A única diferença serão uns mesitos.
(Ver o post abaixo que publiquei sobre o tema no incio do mês no Jornal de Negócios).
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